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Chuvas atrasam colheita de café e ameaçam qualidade da safra em Minas Gerais
7 de julho de 2026 às 16:06
A colheita de café está atrasada nas principais regiões produtoras do Brasil em razão das chuvas acima da média registradas no fim de junho. Em Minas Gerais, estado que concentra cerca de metade da produção nacional do grão, apenas 30% da safra havia sido colhida, enquanto a média histórica para o período é de 40%, segundo dados da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG).
As precipitações afetaram principalmente as regiões do Cerrado Mineiro e do Sul de Minas, provocando atraso nos trabalhos de campo e aumentando os riscos de perda de qualidade dos grãos. A umidade excessiva favoreceu a queda de frutos, a fermentação do café no solo e o surgimento de problemas como mofo e podridão, fatores que podem reduzir o valor comercial da produção.
A possibilidade de novas chuvas previstas para meados de julho, associadas a alterações climáticas influenciadas pelo fenômeno El Niño, também preocupa os produtores. As precipitações durante o inverno podem antecipar a floração dos cafezais, fazendo com que as flores sejam derrubadas durante a colheita e prejudicando a formação de frutos para a próxima safra.
Apesar das dificuldades, a estimativa para a produção mineira permanece em patamar superior ao ciclo anterior. A previsão da Emater-MG é de uma colheita de 31,8 milhões de sacas na safra atual, acima das 25,7 milhões de sacas produzidas no período passado, embora inferior à projeção inicial de 32,4 milhões de sacas.
O atraso na colheita também tem impacto sobre o beneficiamento do produto. Muitos produtores precisaram interromper temporariamente a retirada dos frutos das plantas para recolher o café que caiu no chão e colocá-lo para secagem. A operação aumenta os custos, exige mais mão de obra e reduz o ritmo dos trabalhos nas lavouras. A qualidade do café é uma das principais preocupações do setor. A permanência dos frutos no solo favorece a fermentação e reduz a qualidade da bebida, aumentando a participação de cafés classificados como de menor valor comercial.
Em nível nacional, a colheita da safra 2026/27 alcançou 52% até o início de julho, percentual abaixo dos 60% registrados no mesmo período do ano anterior. Mesmo com avanço em relação à semana anterior, a oferta de café ainda não apresentou crescimento significativo devido ao tempo necessário para secagem e processamento dos grãos.
Nas principais regiões produtoras de Minas Gerais, os números confirmam o ritmo mais lento. A colheita nas áreas ligadas à Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé) chegou a 24,9% até o fim de junho, contra 31,4% no mesmo período de 2025. Nas Matas de Minas, o índice alcançou 30%; no Sul do Estado, 29,8%; em São Paulo, 26,5%; e no Cerrado Mineiro, 16,2%.
Além dos impactos na safra atual, o excesso de chuvas pode trazer reflexos para o próximo ciclo produtivo devido ao comprometimento da florada dos cafezais.
