Notícia
Maior oferta global e expectativa de boa safra provocam queda nos preços do café
6 de maio de 2026 às 15:36
O mercado cafeeiro encerrou o mês de abril de 2026 apresentando um cenário de retração nos preços tanto para o café arábica quanto para o robusta, refletindo uma pressão vinda das esferas interna e externa.
De acordo com a análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), esse movimento de baixa é sustentado, primordialmente, pela expectativa de uma oferta global mais robusta para o ciclo 2026/27 e pelas projeções otimistas em relação à safra brasileira.
Com o avanço da colheita no Brasil durante o mês de maio, as cotações futuras na Bolsa de Nova York (ICE Futures) sentiram o impacto direto, embora o declínio tenha encontrado certa resistência no baixo nível dos estoques certificados e nas incertezas logísticas provocadas pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio.
No detalhamento das variedades, o café arábica tipo 6 apresentou uma média de R$ 1.811,87 por saca de 60 quilos em abril, o que representa uma queda de 5,3% comparado ao mês anterior. No entanto, o dado mais expressivo surge na comparação anual: em relação a abril de 2025, a desvalorização real atinge impressionantes 26,8%, considerando o ajuste pelo IGP-DI.
O cenário para o café robusta é ainda mais agudo, com o Indicador Cepea/Esalq registrando uma queda mensal de 10,3%, fechando a média de abril em R$ 917,15 por saca. Quando confrontado com o mesmo período do ano passado, o robusta acumula uma perda real de 40,1%, evidenciando um ajuste severo de mercado frente aos picos de preços registrados anteriormente.
Essa tendência de baixa repercutiu com nitidez na ICE Futures, onde o contrato de arábica para julho de 2026 encerrou o mês cotado a 285,55 centavos de dólar por libra-peso, uma redução de 525 pontos em relação ao fechamento de março.
O Cepea reitera que o principal motor desse recuo internacional é a combinação entre a entrada da nova safra brasileira no mercado e a percepção de que o equilíbrio entre oferta e demanda global está se tornando mais favorável aos compradores, arrefecendo o ímpeto de alta que dominou o setor em períodos passados.
