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PCMG indicia médicos e instrumentador cirúrgico por morte de paciente em João Pinheiro
24 de junho de 2026 às 14:49
A Polícia Civil de João Pinheiro, no Noroeste de Minas, concluiu o inquérito que investigava a morte de Manuel Cardoso de Brito, de 68 anos, após uma pinça cirúrgica ser esquecida dentro do abdômen dele durante uma cirurgia realizada no Hospital Municipal Antônio Carneiro Valadares. Três profissionais de saúde foram indiciados por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
Manuel morreu no dia 24 de dezembro de 2025, depois de passar por duas cirurgias na unidade hospitalar. Segundo a investigação, ele deu entrada no hospital no dia 5 do mesmo mês, para um procedimento de urgência, após sofrer uma perfuração causada por uma úlcera gástrica. Durante a recuperação, o paciente apresentou piora no quadro clínico e exames identificaram a presença de uma pinça metálica de cerca de 14 centímetros esquecida no abdômen na primeira cirurgia. Após a descoberta, Manuel precisou passar por uma nova operação de emergência para retirada do instrumento e controle de uma infecção. No entanto, o estado de saúde se agravou. Ele desenvolveu um choque séptico, ficou internado na UTI e morreu em 24 de dezembro.
Foram indiciados o médico cirurgião Marcus Vinicius Meneses da Silva, o instrumentador cirúrgico Lucas Fillipi Alves de Souza e a médica auxiliar Barbara Furtado de Noronha. De acordo com o delegado Cleto Portela Pereira, responsável pelo caso, a investigação apontou imperícia dos profissionais pela falta de cumprimento de protocolos básicos de segurança cirúrgica, como a conferência dos instrumentos utilizados e a revisão da cavidade abdominal antes do fechamento.
Em depoimento, o instrumentador afirmou que a contagem dos materiais não foi feita devido à grande quantidade de instrumentos utilizados na cirurgia. Já o cirurgião disse que confiou na equipe. Para a Polícia Civil, porém, a responsabilidade pela verificação era compartilhada entre os três profissionais.
O laudo pericial concluiu que não é possível afirmar com certeza que Manuel sobreviveria ao quadro clínico inicial, mas apontou que o esquecimento da pinça contribuiu diretamente para o agravamento do estado de saúde. Segundo o perito, a necessidade de uma segunda cirurgia funcionou como um “segundo golpe” no organismo do paciente, reduzindo drasticamente as chances de recuperação.
A família de Manuel acompanhou todo o caso de perto e contesta a versão inicial registrada na certidão de óbito, que apontava morte natural. O filho da vítima, Samuel Cardoso Rezende de Brito, acredita que o pai poderia estar vivo se o erro não tivesse acontecido.
A defesa dos dois médicos afirmou que irá se manifestar por meio dos autos. Já o advogado do instrumentador cirúrgico não retornou aos contatos.
O inquérito foi encaminhado à Justiça e agora aguarda manifestação do Ministério Público.

Com informações: G1