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Período chuvoso aumenta riscos de acidentes com escorpiões e cobras
15 de janeiro de 2026 às 15:06
O período chuvoso, com altas temperaturas e maior umidade, aumenta o risco de acidentes com animais peçonhentos e exige atenção da população e do poder público. Em 2025, Minas Gerais registrou quase 60 mil ocorrências envolvendo escorpiões, serpentes, aranhas, lagartas, abelhas e outros animais, aumento considerado esperado para esta época do ano.
Apesar do número elevado, a maioria dos casos foi atendida de forma ambulatorial, sem necessidade de internação, o que reforça a importância do atendimento rápido e da busca imediata por assistência médica. Os escorpiões lideram as estatísticas, com mais de 42 mil registros, seguidos por acidentes com aranhas, abelhas e serpentes.
A reportagem da Gerais FM procurou o setor de Vigilância em Saúde da Prefeitura de Coromandel para levantar o cenário dos acidentes envolvendo animais peçonhentos e insetos no município.
Segundo a enfermeira da Vigilância em Saúde, Joysse Dornelas, no período de janeiro a dezembro de 2025 foram registrados 132 acidentes classificados, em sua maioria, como leves, envolvendo escorpiões, abelhas, marimbondos, aranhas, cobras e insetos indeterminados.
No total, 74 ocorrências envolveram escorpiões, todas sem necessidade de uso de soro. Esses casos são caracterizados, geralmente, por dor e inchaço no local da picada, sem sintomas sistêmicos graves ou risco imediato à vida, sendo a forma mais comum de envenenamento escorpiônico, especialmente com espécies menos peçonhentas.
Também foram registrados 34 acidentes leves com abelhas, com sintomas localizados e autolimitados, que costumam desaparecer em cerca de 24 horas. Normalmente, esses casos envolvem uma ou poucas picadas em pessoas não alérgicas.
Em relação aos marimbondos, o setor contabilizou 11 acidentes leves, caracterizados por dor imediata, inchaço, vermelhidão e coceira ao redor da área atingida.
Já os 8 acidentes com aranhas apresentaram apenas sintomas locais e brandos, sem comprometimento sistêmico ou lesões graves, com melhora do quadro em um ou dois dias.
O levantamento aponta ainda 4 acidentes moderados com cobras, todos com necessidade de uso de soro. Esses casos envolvem manifestações locais mais intensas e o início de alguns sintomas sistêmicos leves, porém sem risco iminente de morte ou comprometimento grave de órgãos. A gravidade, conforme explica a Vigilância em Saúde, depende do tipo de cobra, da quantidade de veneno inoculado, do tempo até o atendimento médico e das condições de saúde da vítima.
Por fim, foi registrado um acidente leve envolvendo inseto indeterminado, também sem maiores complicações.
Em Minas Gerais, o escorpião-amarelo é a principal espécie envolvida nos acidentes, especialmente nos meses mais quentes e úmidos, devido à sua alta capacidade reprodutiva.
A Fundação Ezequiel Dias (Funed) atua de forma contínua na vigilância, no monitoramento e na orientação técnica aos municípios e profissionais de saúde. Para reduzir os riscos, a recomendação é manter os ambientes limpos, evitar o acúmulo de lixo e vedar frestas e ralos em residências.
Em caso de acidente, a orientação é lavar o local com água e sabão e procurar imediatamente a unidade de saúde de referência.
O estado dispõe de atendimento especializado e soros antivenenos, quando indicados, sendo útil, sempre que possível, registrar a imagem do animal para auxiliar na identificação.
Em Coromandel, o Pronto Socorro Municipal mantém em seu estoque local o soro antiescorpiônico, garantindo atendimento imediato para acidentes com escorpiões. Já nos casos envolvendo picadas de cobras ou aranhas, o protocolo segue a regulação da UFU: caso haja necessidade de soro, o medicamento é liberado pela instituição para busca imediata ou, em situações de maior gravidade técnica, o paciente é transferido para uma unidade de referência para receber o tratamento especializado.
