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Queijista: uma profissão que busca reconhecimento e regulamentação no Brasil

31 de agosto de 2026 às 11:15

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A profissão de queijista vem ganhando espaço no Brasil e pode estar próxima de conquistar um reconhecimento formal. O Projeto de Lei 437/2025, apresentado pelo deputado Zé Silva (Solidariedade-MG), propõe regulamentar a atividade e estabelecer critérios para o exercício da profissão. A proposta está em tramitação na Câmara dos Deputados e ainda aguarda a indicação de um relator.

Pelo texto do projeto, o queijista será o profissional especializado na comercialização de queijos e na orientação dos consumidores. Sua atuação poderá ocorrer em diferentes estabelecimentos, como lojas especializadas, queijarias, empórios, armazéns e mercearias.

Embora a regulamentação ainda esteja em discussão, o trabalho já é realizado há bastante tempo no país. A atividade envolve conhecimentos sobre produção, maturação, conservação, análise sensorial, harmonização e comercialização. Mais do que vender o produto, o profissional exerce uma função de conexão entre quem produz e quem consome.

O queijista precisa conhecer as características dos diferentes queijos e saber transmitir essas informações de maneira acessível ao consumidor. Também cabe a ele compreender as preferências de cada pessoa para indicar produtos adequados ao seu perfil, além de apresentar aspectos relacionados à origem, à produção e à história do queijo.

Uma profissão com identidade brasileira

Em outros países, profissionais que trabalham diretamente com a comercialização e orientação sobre queijos são conhecidos por termos como fromager ou cheesemonger. No Brasil, entretanto, durante muito tempo não havia uma denominação própria para essa atividade.

A busca por um nome começou a ganhar força em 2017, quando profissionais do setor passaram a discutir uma forma de identificar a profissão que também tivesse relação com a cultura brasileira. Foi nesse contexto que surgiu o termo “queijista”, que acabou sendo incorporado pelo setor.

A denominação ganhou força e passou a ser utilizada pela associação criada por profissionais da área, que posteriormente adotou o nome Associação dos Queijistas do Brasil. O termo ajudou a dar identidade a uma atividade que já existia, mas ainda não possuía uma definição profissional consolidada.

Conhecimento que vai muito além da venda

O trabalho de um queijista exige conhecimento técnico e capacidade de análise. O profissional precisa reconhecer diferenças de aroma, sabor, textura, aparência e características desenvolvidas durante a maturação.

Um queijo pode apresentar notas que remetem a frutas, castanhas, cítricos ou elementos adocicados. A textura, as olhaduras, a formação de bolores e as transformações que ocorrem durante a maturação também fazem parte da avaliação.

Esse conhecimento permite ao queijista explicar melhor o produto e apresentar possibilidades de consumo e harmonização. Com isso, produtos de maior complexidade podem ser apresentados a novos públicos e ganhar maior valor comercial.

A atuação também pode beneficiar pequenos produtores e empresas familiares. Muitas vezes, o produtor domina a fabricação, mas encontra dificuldades para comunicar ao consumidor os diferenciais de seu produto. O queijista pode assumir justamente esse papel, apresentando a origem do queijo, os métodos utilizados na produção e a história de quem está por trás daquele alimento.

Formação profissional

Durante muitos anos, quem desejava trabalhar como queijista precisava aprender principalmente com a experiência prática. Não havia uma formação específica consolidada para a profissão, e boa parte dos conhecimentos era adquirida no dia a dia, por meio da observação e da convivência com produtores e comerciantes.

Esse cenário começou a mudar com a criação de cursos voltados à formação de profissionais da área. Entre os conteúdos trabalhados estão legislação, boas práticas, técnicas relacionadas à profissão, harmonização com vinhos e cervejas, administração, marketing e utilização das redes sociais.

A formação é considerada um dos pontos relevantes no debate sobre a regulamentação. A ideia é estabelecer uma preparação mínima compatível com as responsabilidades da profissão, evitando que cursos muito rápidos sejam considerados suficientes para qualificar alguém como queijista.

Ao mesmo tempo, a formação precisa levar em conta as características do mercado brasileiro. Como o país possui diferentes regiões produtoras, tradições, tipos de leite, métodos de fabricação e hábitos de consumo, o profissional pode precisar de conhecimentos específicos conforme o local onde trabalha. Ainda assim, existem fundamentos técnicos que são comuns à atividade.

Por que regulamentar a profissão?

A regulamentação pode ajudar a estabelecer parâmetros para a formação e para o exercício da atividade. Além do conhecimento sobre queijos e técnicas de venda, o profissional lida com questões relacionadas à segurança dos alimentos e precisa saber identificar produtos que estejam devidamente registrados e submetidos à inspeção.

Outro possível impacto está na valorização profissional. Com critérios definidos e uma formação reconhecida, a atividade pode conquistar maior espaço no mercado de trabalho e contribuir para melhores condições de remuneração.

A regulamentação também pode provocar mudanças no varejo. Atualmente, em alguns estabelecimentos, funcionários de outros setores são deslocados para atender a área de queijos sem necessariamente possuir conhecimento específico sobre os produtos.

A presença de profissionais especializados pode transformar essa realidade. Um atendente preparado consegue explicar as diferenças entre os queijos, orientar sobre conservação, sugerir combinações e indicar produtos de acordo com o gosto e o orçamento de cada consumidor.

Dessa forma, o trabalho do queijista ultrapassa a simples comercialização. Ele participa da construção de uma relação mais próxima entre produtor, produto e consumidor, contribui para a divulgação da cultura do queijo e pode ajudar a fortalecer toda a cadeia produtiva.

Enquanto a regulamentação ainda avança no Congresso, a profissão segue se consolidando no mercado brasileiro. O crescimento de queijarias, lojas especializadas e produtores artesanais aumenta a necessidade de profissionais capazes de compreender o produto e, ao mesmo tempo, comunicar seu valor ao consumidor.