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Trigo perde espaço no campo e produção brasileira deve cair em 2026
6 de julho de 2026 às 15:02
A safra brasileira de trigo em 2026 deve registrar uma das maiores quedas dos últimos anos. A combinação de preços baixos, aumento dos custos de produção, dificuldade de acesso ao crédito e a previsão de um ano marcado pelo El Niño desestimulou o plantio em praticamente todas as regiões produtoras.
Além da redução da área cultivada, há preocupação com os impactos do clima sobre a produtividade e a qualidade dos grãos, o que pode ampliar a necessidade de importações.
As estimativas apontam para uma forte retração da área plantada e da produção nacional. O cenário é semelhante em todos os principais estados produtores, onde agricultores optaram por reduzir o cultivo diante da baixa rentabilidade e do risco elevado.
No Sul do país, a situação é ainda mais delicada, já que muitos produtores acumulam prejuízos de safras anteriores afetadas por problemas climáticos. No Rio Grande do Sul, maior produtor de trigo do Brasil, a redução da área deve ser a mais expressiva dos últimos anos. A previsão de chuvas acima da média durante o inverno e a primavera aumenta a preocupação com perdas de qualidade, tornando o investimento na cultura ainda mais arriscado. Além disso, os altos custos com fertilizantes, a falta de um seguro agrícola acessível e os baixos preços pagos pelo grão reforçam a decisão de muitos produtores de diminuir ou até abandonar o plantio nesta safra.
No Paraná, o cenário também é de cautela. O excesso de chuva previsto para o período de colheita pode comprometer a qualidade do trigo, levando muitos agricultores a reduzir a área cultivada ou substituí-la por outras culturas de inverno, como a cevada. Mesmo quando a produtividade é satisfatória, a queda dos preços tem limitado a rentabilidade, muitas vezes cobrindo apenas os custos de produção.
Diante desse cenário, a expectativa é de uma safra menor e menos competitiva. Com custos elevados, preços pouco atrativos e condições climáticas desfavoráveis, o trigo perde espaço para culturas consideradas mais seguras e rentáveis, aumentando a dependência do mercado brasileiro das importações para atender à demanda interna.
